Uma das maiores revoluções ocorridas no século XVI foi a revolta religiosa conhecida como Reforma. Este tempestuoso, por vezes brutal, conflito separou os cristãos da Europa Ocidental entre Protestantes e Católicos. A unidade religiosa dos cristãos foi quebrada e os povos começaram a pensar nos termos de seus interesses regionais. Da diversidade de todos esses interesses surgiram novos problemas políticos, sociais, econômicos e novas crenças religiosas.   No começo do século XVI a Europa Ocidental tinha apenas uma religião, o catolicismo romano. A Igreja Católica era rica e poderosa e tinha preservado a cultura clássica européia. Alguns clérigos criticavam a administração da Igreja e começavam a duvidar de alguns de seus ensinamentos. Por exemplo, a Igreja insistia em que somente ela tinha autorização para interpretar a escritura sagrada, a Bíblia, para o povo. No entanto, ainda no século XIV, John Wycliffe, um padre e professor inglês da Universidade de Oxford protestou contra a Igreja; seus seguidores traduziram a Bíblia do latim para o inglês em 1382 e distribuíram cópias através do país.   As idéias de Wycliffe tiveram eco também na Boêmia, onde Jan Hus pregava-as em poderosos sermões. O trabalho de ambos, Wycliffe e Hus, influenciaram de modo indelével um monge saxão chamado Martinho Lutero, o qual começou a liderar a revolta na Alemanha. Há alguns anos ele já vinha protestando que alguns clérigos estavam vendendo indulgências (perdão temporal dos pecados) sem esclarecer às pessoas que elas deveriam estar sinceramente arrependidas daqueles pecados. Em 1517, Lutero escreveu uma lista de 95 teses contra as indulgências e pregou-as na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg.   Lutero desenvolveu novas idéias, opostas às da Igreja. Ele rejeitou a autoridade do Papa e, como Wycliffe e Hus antes dele, aceitou a Bíblia como única fonte de doutrina. Ele negava que os padres tivessem algum poder que os leigos não tivessem. Declarou que os votos feitos por monges e freiras não eram compromissos e que os monastérios e conventos deveriam ser fechados. Rejeitou o celibato do clero e dos sete sacramentos Lutero guardou apenas dois: o Batismo e a Santa Ceia (Eucaristia).   Quando o Papa Leão X condenou os ensinamentos de Lutero numa bula, ele a queimou em praça pública juntamente com uma cópia das leis canônicas. O Imperador Carlos V ordenou a Lutero, em 1521, que se retratasse. Lutero disse que o faria desde que lhe provassem pela Bíblia que ele estava errado.   Outros mestres ajudaram a difundir a Reforma. Philipp Melanchthon, colega de Lutero na Universidade de Wittenberg, tornou-se o chefe teológico da Reforma na Alemanha. Johannes Reuchlin, de Heidelberg, expandiu o campo das idéias ao aprofundar-se no estudo de grego e hebraico. O conhecimento desta línguas antigas possibilitava ao povo ler a Bíblia em sua forma original. De Johannes Tauler, de Strasbourg, veio a mística idéia de "coração religioso ", a qual tornou-se a doutrina luterana da "justificação pela fé ". Os reformadores de outros países também foram zelosos. Erasmus de Rotterdam, o grande predecessor holandês de Lutero, incentivou o estudo das igrejas antigas através de suas edições impressas do Novo Testamento em grego; Lefevre d 'Etaples na França e Huldrych Zwingli na Suíça, que tinham pontos de vista similares a Lutero; na Inglaterra, John Colet trabalhou na reforma da igreja inglesa. Johann Calvin fez de Genebra o centro mundial das Igrejas Reformadas e Presbiterianas. A Reforma foi uma conseqüência do Renascimento. A difícil situação política da Europa também ajudou a extender a revolta religiosa porque muitos governantes queriam sua independência do Imperador Carlos V. Finalmente, muitos comerciantes e agricultores estavam procurando ter mais direitos com os governantes e senhores de terra e ressentiam-se com a Igreja pois acreditavam que ela favorecia seus opressores. Lutero desafiou as antigas doutrinas e tradições religiosas tornando-se um ponto de referência para estas forças descontentes e provendo-lhes um motivo para quebrar os padrões estabelecidos. Grupos tão díspares quanto nobres e agricultores o elegeram como seu líder. Gradativamente, no entanto, eles viram que ele não trabalhava para qualquer grupo em particular, e então em 1530 muitos deles afastaram-se. Mas a Reforma já estava feita.



Última Atualização: 15/05/2001